UM IDOSO RECORDA SEUS TEMPOS DE “LIXEIRO". O INFERNO VIROU UM CÉU AZUL, SALVANDO OS IGARAPÉS
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Rrevisado. Foi logo me dizendo que muita gente pensa que as ruas são as "latrinas da própria casa". Confesso que não entendi bem e fui procurar no Google o que antes faria num dicionário. Percebi que latrina mudara de lugar e o dicionário foi substituído por IA.
Achei exagerado a qualificação de latrinas para as ruas da cidade, no tempo de meu amigo idoso, que não tinha saudade do tempo de varredor de rua e de coletor de lixo urbano. Afinal, latrina no Google apareceu assim descrita: “Latrina é um termo geral para qualquer instalação, compartimento ou estrutura destinada ao recolhimento e descarte de escrementos e urina”. Era um pouco assim mesmo a minha cidade, embora com sua população com menos de 400 mil habitantes.

Naquele tempo, a cidade tinha os “infernos” de fogo permanente, que queimavam folhas, cachorros mortos, restos de penosas de quintal, garrafas quebradas e tantas coisas sem serventia.
Aos domingos, algumas famílias reuniam-se na frente da casa para conversar, mas saíam cedo porque fedia quando sol aquecia o monturo que fumaçava.
Examinando a palavra “infernos” da linguagem do nosso saudosista varredor, verifiquei que tinha o mesmo sentido bíblico, usado pelo evangelista Mateus. Um termo grego empregado e traduzido por inferno que descreve o “lixão” de Jerusalém: o local onde era jogado e queimado todo o lixo da cidade, incluindo os restos de animais. Um fogo permanente e um odor desagradável que ficava no ar.
Você sabia, caro leitor e leitora, que essa imagem que o termo evocava, passou a ser usado por muitos padres e pastores que esqueciam de anunciar Jesus, atraindo os fiéis pelo amor e substituindo por "inferno eterno" como destino dos pecadores? Mateus, sabendo que Jesus viera para salvar e não para condenar, usa tal imagem com uma conotação mais amena: não vê como castigo, mas como sinônimo de uma vida sem amor cidadão, ou seja, de todos que vivem numa cidade. E, para Mateus, inútil e sem sentido é a vida de quem tem medo de anunciar o Evangelho em obras cidadas e assumir as suas consequências.

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O velho coletor de lixo (chamar de lixeiro é uma aberração) sensibilizou-se com aquela podridão e viu a cidade se transformar em produtora de resíduos domésticos que eram jogados nos cantos de algumas ruas, chamando ratos e exigindo que ele usasse pás e rastelos para amontoar e jogar nos caminhões de coleta. Inconformado com a situação das latrinas das ruas, começou a protestar e juntar os companheiros para uma campanha contra o lixo lançado nas esquinas.
Algo muito simples começou a pensar. Achou que podia começar a se ocupar com o monturo de lixo que existia na sua rua. Para este empreendimento, precisava encontrar uma moradora da mesma rua que gostasse de flores e plantas ornamentais. Conseguiu encontrar uma senhorinha que tinha algumas latas enferrujadas com plantas crescidas. Pensou e acertou de cheio, pois aquela mulher pequena e franzina, viúva, cujos filhos vinham visitá-la aos domingos ou quando estava doente, prometeu transformar aquele “inferno” em um “céu” de flores e plantas medicinais. E assim aconteceu.
Anos mais tarde, quando a cidade cresceu e as empresas coletoras de lixo faziam seu trabalho, apareceram os dilúvios, contou-me o velho jardineiro da "Rua do Céu": o velho hábito de jogar lixo na rua agora acontecia jogando-se o lixo nos igarapés, que causavam alagações e transportavam doenças no percurso de sua passagem.
O velho amigo volta a sonhar e a me falar do arco-íris aparecer no céu, como no tempo de Noé, imaginando os igarapés correndo com água cristalina e sendo canais de passeio dominical para as famílias pobres.

Mas não é um sonho distante. Existe, em Manaus, o Movimento Social
"Água e Lixo Não Combinam"
Uma ampla mobilização social e espiritual que une a igreja, universidades e órgãos públicos em prol da despoluição e saneamento dos igarapés. A iniciativa busca recuperar os cursos d'água urbanos, através de cartas-compromisso e ações educativas nas comunidades, que aparece escritas no folheto de divulgação.
Obs. Adquira o livro: MISSÃO MINDU E OS SANTOS DE RUA e ajude a Casa do Idoso FAIC (FRATERNIDADE DE AMIGOS E IRMÃOS DA CARIDADE)
Nelson Peixoto, dia 22 de agosto de 2026



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