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UM IDOSO RECORDA SEUS TEMPOS DE “LIXEIRO". O INFERNO VIROU UM CÉU AZUL, SALVANDO OS IGARAPÉS

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura


Rrevisado. Foi logo me dizendo que muita gente pensa que as ruas são as "latrinas da própria casa". Confesso que não entendi bem e fui procurar no Google o que antes faria num dicionário. Percebi que latrina mudara de lugar e o dicionário foi substituído por IA.


Achei exagerado a qualificação de latrinas para as ruas da cidade, no tempo de meu amigo idoso, que não tinha saudade do tempo de varredor de rua e de coletor de lixo urbano. Afinal, latrina no Google apareceu assim descrita: “Latrina é um termo geral para qualquer instalação, compartimento ou estrutura destinada ao recolhimento e descarte de escrementos e urina”. Era um pouco assim mesmo a minha cidade, embora com sua população com menos de 400 mil habitantes.


Naquele tempo, a cidade tinha os “infernos” de fogo permanente, que queimavam folhas, cachorros mortos, restos de penosas de quintal, garrafas quebradas e tantas coisas sem serventia.


Aos domingos, algumas famílias reuniam-se na frente da casa para conversar, mas saíam cedo porque fedia quando sol aquecia o monturo que fumaçava.



Examinando a palavra “infernos” da linguagem do nosso saudosista varredor, verifiquei que tinha o mesmo sentido bíblico, usado pelo evangelista Mateus. Um termo grego empregado e traduzido por inferno que descreve o “lixão” de Jerusalém: o local onde era jogado e queimado todo o lixo da cidade, incluindo os restos de animais. Um fogo permanente e um odor desagradável que ficava no ar.


Você sabia, caro leitor e leitora, que essa imagem que o termo evocava, passou a ser usado por muitos padres e pastores que esqueciam de anunciar Jesus, atraindo os fiéis pelo amor e substituindo por "inferno eterno" como destino dos pecadores? Mateus, sabendo que Jesus viera para salvar e não para condenar, usa tal imagem com uma conotação mais amena: não vê como castigo, mas como sinônimo de uma vida sem amor cidadão, ou seja, de todos que vivem numa cidade. E, para Mateus, inútil e sem sentido é a vida de quem tem medo de anunciar o Evangelho em obras cidadas e assumir as suas consequências.


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O velho coletor de lixo (chamar de lixeiro é uma aberração) sensibilizou-se com aquela podridão e viu a cidade se transformar em produtora de resíduos domésticos que eram jogados nos cantos de algumas ruas, chamando ratos e exigindo que ele usasse pás e rastelos para amontoar e jogar nos caminhões de coleta. Inconformado com a situação das latrinas das ruas, começou a protestar e juntar os companheiros para uma campanha contra o lixo lançado nas esquinas.

 

Algo muito simples começou a pensar. Achou que podia começar a se ocupar com o monturo de lixo que existia na sua rua. Para este empreendimento, precisava encontrar uma moradora da mesma rua que gostasse de flores e plantas ornamentais. Conseguiu encontrar uma senhorinha que tinha algumas latas enferrujadas com plantas crescidas. Pensou e acertou de cheio, pois aquela mulher pequena e franzina, viúva, cujos filhos vinham visitá-la aos domingos ou quando estava doente, prometeu transformar aquele “inferno” em um “céu” de flores e plantas medicinais.  E  assim aconteceu.


Anos mais tarde, quando a cidade cresceu e as empresas coletoras de lixo faziam seu trabalho, apareceram os dilúvios, contou-me o velho jardineiro da "Rua do Céu": o velho hábito de jogar lixo na rua agora acontecia jogando-se o lixo nos igarapés, que causavam alagações e transportavam doenças no percurso de sua passagem.


O velho amigo volta a sonhar e a me falar do arco-íris aparecer no céu, como no tempo de Noé, imaginando os igarapés correndo com água cristalina e sendo canais de passeio dominical para as famílias pobres.

Foto da 1ª Conferência dos Objetivos de Desennvivimento Sustentavel do Amazonas
Foto da 1ª Conferência dos Objetivos de Desennvivimento Sustentavel do Amazonas

Mas não é um sonho distante. Existe, em Manaus, o Movimento Social


"Água e Lixo Não Combinam"


Uma ampla mobilização social e espiritual que une a igreja, universidades e órgãos públicos em prol da despoluição e saneamento dos igarapés. A iniciativa busca recuperar os cursos d'água urbanos, através de cartas-compromisso e ações educativas nas comunidades, que aparece escritas no folheto de divulgação.


Obs. Adquira o livro: MISSÃO MINDU E OS SANTOS DE RUA e ajude a Casa do Idoso FAIC (FRATERNIDADE DE AMIGOS E IRMÃOS DA CARIDADE)


Nelson Peixoto, dia 22 de agosto de 2026

 
 
 

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