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AS TUMBÉRGIAS E OS NOSSOS PAIS LEMBRADOS COMO AMOR FLORIDO

7 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 8 de ago.


A grade da casa de meu pai era salpicada de flores de cor azul para lilás com abelhas polinizando, pousando e levantando voo serenamente. Ali ao lado, estava meu pai sentado na calçada, apreciando essa maravilha, certamente extasiado e grato pela sua vida de aposentado.


Essa trepadeira, que cobria a grade e seguia com ramos pelo poste, chamava-se tumbérgia. Passei a referir-me a ela como a flor do meu pai querido. Essa flor ligada ao seu tronco dentro de um pneu velho percorreu comigo um longo caminho.


Levei-a comigo à casa Viva Memória, na qual passei quatro anos como formador de futuros padres missionários. Tornou-se cobertura frondosa, aconchegante, lugar de bons momentos de fé e de cuidado com as outras plantas. Este recinto florido evocava o envolvimento que o amor de Jesus tem por nós, onde nada escapa de sua ternura nos convidando a servir e fazer o bem, generosamente.


Quando fui morar na Aldeia SOS, com grandes espaços e muitas edificações, peguei comigo a grande muda de tumbérgia do meu pai, que cuidava na casa Viva Memória. Na Aldeia SOS que morei, plantei-a do lado de fora, próximo ao jardim interno da casa. O crescimento foi rápido e a florescência com muito viço fez uma cobertura que sombreava o interior da casa. Flores com cores variando do lilás ao roxo foram testemunhas dos meus primeiros anos de dedicação como "pai social" de muitas crianças e de pai biológico do meu casal de filhos.


Muita beleza e recordação a tumbérgia evocava. Muitas preces ouviram e sentiram quando meu coração se atribulava com problemas do trabalho. Como companheira, algumas vezes, pareceu-me como a sarça ardente que Moisés presenciou e o fez ouvir a Deus. Certeza do amor amigo e fiel que o colocou a caminho cheio de esperança. Companhia certa e proximidade, indicando que a terra santa onde se pisa e se cuida de criança é um templo sagrado e vivo de encontro com o Pai nas pegadas de Jesus e do fundador das Aldeias Infantis SOS.


E Moisés era inspiração, rumo a uma vida nova, quando começaram as obras da Aldeia SOS de Manaus. Lembro muito de passar pela frente, verbalizava que ali seria nossa terra prometida. Depois de longa provação e espera, entramos dando graças a Deus e começamos a plantar e cuidar das árvores que precisavam crescer para sombrear a vida. Nesse tempo, plantamos nosso pé de tumbérgia para chamar as borboletas e as abelhas que embelezariam a Aldeia com os símbolos de liberdade, ternura e fé! Nunca encontrei uma tumbérgia vermelha. Melhor foi assim, para não receber apelidos de cunho político, bastando ser da Teologia da libbertção e ter aderido os documentos do Concílio do Vaticano II.


O tempo passou, mas permaneceu a tumbérgia na memória e na saudade! Durante a pandemia da covid, aparece uma senhora trazendo mudas variadas. Entre elas, vi uma frágil muda de tumbérgia que plantei num vaso. Cresceu perto da fonte e sombreou tartaruguinhas!


Dessa muda, retirei um galhinho e levei ao apartamento onde moro, perto do Parque dos idosos. Volto a lembrar do meu pai e ver em cada idoso a presença de Deus, que os espera com carinho para florirem no Céu, junto do meu pai! 


No dia 25 de abril de 2026, as primeiras flores brotaram para sinalizar que Deus nos ama e quer que cuidemos dos idosos com amor filial. FELIZ DIA DOS PAIS!



Nelson Peixoto, Manaus, segundo domingo de agosto de 2026


 
 
 

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