O BEIJO DO IDOSO E A DOENÇA QUE DESPERTOU PATERNIDADE SOCIAL
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Era o Dia dos Pais, depois da Igreja em oração de saída, um amigo meu foi concluí-la com uma ação: visitar os idosos de um Lar e levar a certeza que um Pai maior e amoroso não o esquecia e de nenhum filho, sobretudo daqueles marcados pela cruz a caminho da Ressurreição.
Eu vi tudo o que estava acontecendo. Emocionado, acompanhei as palavras ditas, do fundo do coração, e assim, a reação santa e carinhoaa do Vicente. Ele ouviu que o Pai de Jesus o amava e que sempre o acompanhou em sua vida. Ouviu, também, que o dia dos pais é uma expressão terrena e a fonte da paternidade e da bondde de Deus, que se confunde com sua vontade, Apesar do câncer de pulmão do velho Vicente, muitas vezes em respiração ofegante, mas, naquele momento, seu coração e sua mente estavam inundadas de graça e de gratidão. Um dia ele terá o sobrenome de Vivente como Jesus.

Então, eis que o Vicente, com sua mão trêmula, aproximou o rosto do meu amigo para mais perto de si e lhe deu um beijo.
Certamente, imaginei que aquele gesto era também para os filhos que estavam distantes, e talvez, nem sabendo da gravidade de seu câncer.
Eu estava lá, vendo tudo o que acontecia. Meu amigo não teve outro gesto senão retribuir com um beijo filial na cabeça do velho amigo. Eu imaginei que aquele beijo também fosse no meu rosto, em nome do meu pai já falecido .
A câncer como doença, evoca dor, compaixão, piedade, mas também, proximidade de fracasso da vida e alguns preconceitos. Lembrei-me, de imediato de um livro de Edinaide Farias Palheta, "CANSEI O CÃNCER " - Uma trajetória de vida, fé, aceitação e resiliência - Manaus, Ed. da Autora, 2022 Há um declaração de Defensor Público do Núcleo de Defesa da Saúde, nestes termos: "É daqueles livros que prende a atenção... separe o lenço e embarque numa leitura que leva a refexões e amadurecimento". Já foram 213 químioterapias ... as veias já não suportam tanta agulhada.., mas estão segurando e prejudicando outras… Assim vai cansando o câncer e raeebendo o milagre.

O dia dos pais deste ano de 2026, foi pleno de experiências, também, para recordar e reviver a nossa paternidade social, desde o tempo em que exerci o ministério de guardião de crianças e adolescentes, durante 26 anos, nas Aldeias Infantis SOS, agradecendo aos meus filhos pela partilha que me permitiram que acontecesse. Da mesma forma, chamou-me atenção a inspiração que li do amigo filósofo Jose Alcimar de Oliveira:
"Embora não seja pai, nem tenha mais comigo a presença do meu velho pai, Marcondes Pinheiro de Oliveira (que mesmo impedido do acesso às letras lutou até ao impossível para que seus 12 rebentos tivessem garantido o direito à educação e não fossem subjugados pela prisão da ignorância), penso que ser pai vai muito além dos limites definidos pela biologia".
Prossegue o meu amigo e irmão:
"Ser pai é comprometer-se com o mundo (de forma paterna, e tanto mais materna) vai muito além dos laços naturais. Se é o social que nos define, a paternidade social tem precedência ontológica sobre a biológica. O conceito de famlia ou de paternidade, seja em Jesus de Nazaré, Francisco de Assis ou Karl Marx, rompeu as barreiras familiares e se caracterizou pelo compromisso histórico e também transepocal com os condenados da terra e esfarrapados do mundo. Como franciscano ex corde, nesse ano 800 da passagem da imanência para a transcendência do querido Chico de Assis (1182-1226), igualmente Chico de Canindé, no Ceará, e Chico de Anamã, no Amazonas, seguem meus votos de saúde, bom ânimo e bons afetos spinozistas a todos os pais, biológicos ou sociais".
Nelson Pexoto, Manaus, 22 de Agosto de 2026.



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