A ILHA DA BOTIJA E BUSCAS SÁBIAS DA PÉROLA NO CÉU E NA FLORESTA
Atualizado: 30 de jul.

O imaginário das gerações passadas e encantadas pelas riquezas escondidas sempre foram de grande fascínio, sobretudo quando as carências da alma apagavam o brilho das estrelas e fitavam a riqueza fácil que se punha como maior objetivo.
Um tesouro no contexto de cada época era um vaso de argila cheio de moedas valiosas e joias que os antigos teriam enterrado debaixo de árvores, quando percebiam perigo de guerras, invasões ou saques. A descoberta de um tesouro em todos os tempos era uma possibilidade de ficar rico, mudar de vida e sonhar acordado com a realização de todos os desejos, desfutando da felicidade e das belezas sem fim, que podiam trazer o esquecimento dos velhos companheiros, mesmo no Dia dos Avós e de Nossa Senhora de Sant'Ana, avó de Jesus.
Mas não é bem de riqueza que eu quero dizer, mas de sabedoria. Estou mais atento às parábolas de Jesus sobre o tesouro e a do comprador de pérolas, que os ouvintes-leitores do Evangelho compreendiam muito bem, igual a uma comunidade rural, chamada Vila Floresta, lá no Médio Rio Solimões, do município de Coari, AM. Entretanto, por lá, nunca foi encontrada pedra preciosa e nem tesouro de moedas de ouro ou de prata. O que teriam encontrado?

A bem da verdade, havia um tesouro que se chamava amizade, solidariedade e pertencimento que dava um brilho diferente aos ribeirinhos da ilha, que Jesus chama de Reino de Deus. Somava-se ao pertencimento de todos a alegria dos encontros de oração, aos mutirões nos roçados, a uma escola que ensinava mais do que juntar letras, mas que ajudava a desvender as opressões e os preconceitos até para com aqueles que plantavam maconha como alternativa de sobrevivência ou para ficariam ricos vendendo droga e destruindo a juventude da cidade.
Foi nesse contexto contraditório, entre riqueza e pobreza, que apareceu a alternativa de orgainzção da comunidade, convocando-a a aproximar-se do jeito de viver das bem-aventuranças anunciadas por Jesus. Dentre estas, destacaram-se duas delas: felizes os pobres que lutam para vencerem juntos a pobreza e felizes os quem constroem a paz entre os moradores, através do perdão e da atenção aos idosos que ficam solitários, enquando os adultos vão para a roça, para a pesca, e quando as crianças vão para a escola.

Aconteceu que em uma reunião da comunidade, o abandono dos avós virou uma pauta de discussão e de busca de alternativa. O que fazer? A ideia aprovada seria fazer um barracão perto da escola para que, ao menos, os idosos pudessem ouvir as vozes das crianças. Alguém perguntou: "E os idosos vão ficar calados?". Como resposta a essa pergunta, alguém, sabiamente, foi dizendo que os idosos contam muitas histórias sobre a ilha.
Histórias de inimagináveis botijas encontradas debaixo das samaumeiras gigantes, que tombavam pela força dos relâmpagos e do vento, durante os temporais que batiam sobre elas.
Certa vez, uma criança chegou a casa e contou uma destas histórias para a mãe, que chegava do roçado e estava deitada no assoalho para esfriar o corpo, antes de pegar a cuia do banho de cacimba. Foi dizendo o menino que o avô de sua amiga contou, quando depois de um temporal, a raiz da samaumeira cedeu e tombou a árvore. à frente da sua casa, trazendo, à flor da terra, uma vaso de barro vermelho, fechado com cera preta de abelha. Quebrado o vaso, sem muito esforço, viu dentro dele uma tabuleta de itaúba (madeira de pedra), com a inscrição em latim: "Veritas lux mea" (A verdade é minha luz).

Diante dessa inscrição comecei a pensar, forçosamente, da coincidência acerca do barracão dos avós que eram valorizados. Estava ali a preciosa sabedoria que como clarão valia muito mais do que pedras preciosas ou tesouros de enriquecimento fácil que trariam o esquecimento dos idosos.
"JAMAIS TE ESQUECEREI E CUIDADREI DE TI"
O tema da mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos foi: “Eu nunca te esquecerei” (baseado no livro de Isaías 49,15). O texto destaca o valor dos idosos na sociedade, combate a solidão e convida os jovens a visitarem os mais velhos.
NeLson Peixoto, Manaus, primeiro de agosto de 2026.



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