SAUDADES ALEGRES DA BONDADE DO BAIXINHO QUE ESPELHAVA PAZ
- 26 de fev.
- 3 min de leitura

Quase cinco décadas de presença mansa de um pequeno "caroço" que rolava nas frentes das casas de um conjunto, chamado Manauense. Era um "anjo e um “santo’ que chamava a atenção das crianças, dos pais e avós, que viam, naquele homenzinho, a presença maravilhosa de Jesus, andando pelas ruas de Nazaré.
Ele não era carpinteiro, mas trabalhara numa casa de material de construção, com tanta dedicação, que os donos jamais o deixaram ir, sem se mostrarem gratos pelo bem que fizera. Assim também, como toda a grande vizinhança, via nele um jardineiro, um homem de fé silenciosa, que corria para a soleira na igreja de Nazaré, nos dias quando a chuva caía inesperada. Certamente, queria entrar, como acontecia nos domingos em que se identificava como irmão de todos, que os amavam sem discriminação.
Todos viam, naquele baixinho um embaixador das Bem-aventuranças anunciadas por Jesus: "felizes os pacíficos, os pobres, os misericordiosos e puros de coração" que vivem e clamam por compaixão e solidariedade.
Assim viveu e aconteceu com o nosso amigo até seus 70 anos. Com a morte, sua mensagem não terminou.
Machucado por um carro, foi ao chão com a cabeça, mas levado ao hospital por quem o tratava como "filho", alguém que nunca o abandonou, pois era filha de seu antigo patrão. Entretanto, não havendo uma investigação maior do baque em sua cabeça, recebeu alta. Provavelmente, por este motivo alguns dias depois, viera à óbito, amparado pelos braços de quem o levara para o hospital.
Grande foi a comoção de todos que o conheciam. O amigo bondoso merecia uma despedida honrosa. Tanto foi, que todos se mobilizaram para fazer um velório digno. O bar-restaurante do Miltão, onde a frequência do falecido Olavo Marinho, fazia ponto de encontro dos amigos da vizinhança, foi transformado em Santuário para unir a todos. Parentes, como o filho, netos, irmão e primos, nas lembranças e nos elogios da santidade do inesquecível amigo Olavo.

Três coroas de flores ornavam a cabeceira do caixão, com dizeres de declaração de afeto e gratidão:
"Saudades do Baixinho, do teu amigo Pintinho" (em nome das crianças), "Amigos do Acerola" (daqueles que algumas vezes o viram dormindo à sombra de um pé de acerola), "Amigos da Confraria do Miltão" (o recanto bem humorado de um bar que abastecia a amizade, tomando uma pinga e umas cervejas, com suculentas sopas e outras iguarias). Durante o velório, foi servida a sopa que lembrava a memória de Jesus, sentado à mesa, ordenando, que assim fazendo, tínhamos certeza da sua presença entre nós.
Outro ponto sublime do evento-velório foi a oração que as amigas do Olavo rezaram ao redor do caixão anunciando a Vida Nova do Olavo.
A agora repousa em Deus Pai, que acolhe a todos os pecadores, sem saber o que fazem. Com o Terço da Misericórdia fomos levados à oração, saindo do fundo do coração, a exclamação: "JESUS EU CONFIO EM VÓS" e "Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro". Nessas palavras do Terço da Misericórdia, compreendemos como Deus ama a todos e deixa seu Espírito nos guiar a fazer sempre o bem que está ao nosso alcance.

Da Comunidade Jesus de Nazaré, como Comunidade que o Olavo participava, chegaram as ministras servas da fraternidade e da pastoral da saúde. Consolamo-nos na esperança de ter os olhares de Maria de Nazaré (Salve Rainha) voltados para nós e, sabendo que que no céu, com Nossa Mãe estaremos, tal como rezamos no fim da Novena da Mãe do Perpétuo Socorro ("No Céu, no Céu, Com minha Mãe Estarei", na companhia do Baixinho, nosso inesquecível amigo e carinhoso Caroço.
Certa vez, caminando com ele, entre as árvores queimadas, encontrei um nincho sabrecado de fogo, e o convidei a se colocar ali, como um santo, no altar da vida e da floresta maltratada.
"Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor." (Carlos Drumond)
Nelson Peixoto, Manaus, 28 de fevereiro de 2026.



Comentários