OS IDOSOS SÃO FILHOS E FILHAS DO VENTO NO ESPÍRITO DE JESUS
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Os antigos leitores de um mundo sem internet devem se lembrar do escritor libanês Khalil Gibran, sobretudo de Profeta (1923) e de Asas Partidas (1925). Quem não o conheceu, eis agora a oportunidade para dar um giro no Google.
A comparação dos idosos como "filhos do vento" é uma metáfora que pode nos arrastar para a celebração de Pentecostes, fato da fé que Jesus garante que não nos deixará órfãos, sem ninguém para nos defender ou socorrer.
Os sinais da presença de Deus acontece de tantas formas: vento forte, brisa suave, línguas de fogo, folhagens em balanço, sabedoria de idosos felizes, entre mil outras manifestações que evocam um amor ardente e uma proximidade de união com Deus e com seus filhos e filhas.

No romance "Asas Partidas", ao vento da submissão, o amor não se realiza com quem o coração escolhe, e sim com quem a tradição obriga ou com o sistema que vigora entre os poderosos. Com o convite de Jesus, o seguimento se faz com liberdade, adesão pelo coração, que as asas do Espírito sopra em suas comunidades de seguidores e seguidoras.
A ventania de Deus nos empurra para onde encontramos pessoas de asas e corações partidos pela solidão, para que encontrem a solidariedade, para que sejam curados e prossigam em direção ao horizonte infinito do amor de Deus.
Através de gestos de liberdade que acontecem pelas nossas mãos, pelas palavras e atitudes de prontidão, de acolhimento e de companhia não descartável. Descoberta surpreendente e encantada para quem se aventura nesse caminho de deixar-se levar pelo sopro do Espírito, encontrando-O nos pobres, sofredores.e idosos.
Podemos considerar que as asas de muitos idosos foram quebradas por causa da pobreza desesperadora da família? Será que teriam sido quebradas também por causa da busca cega da riqueza e do poder que tornaram, consequentemente, os idosos um estorvo para realização dos sonhos nascisistas?
Não nos atrevemos a julgar ou condenar as causas propulsoras da "orfandade" dos idosos e nem a consciência individual daqueles que optaram em levar seus pais ou empregadas desgastadas por muitos anos na mesma família.

Quando Jesus, no seu discurso de despedida, falava que não nos deixaria órfãos, queria apenas afirmar seu outro jeito de permanecer no mundo ferido como defensor permanente ao nosso lado, porque desceu do céu para nos fazer subir. Tal é o sentido da Ascenção que celebramos antes do Pentecostes, que nada tem de triunfo, conquista tentadora ou subida social no terreno político, profissional e financeiro.
Ora, assim funciona a sociedade competitiva na qual o idoso já se encontra com asas quebradas e colocadas para fora do campo da vida.

A Ascenção de Jesus está mais para a "mística da descida", ou seja, acolher o estrangeiro, não abandonar os idosos, defender o maltratado e perdoar quem nos ofende. Este é fluxo da descida de Jesus, escreve meu mestre Pe. Adroaldo Palaoro: "nos faz ser filhos e filhas do Vento, ou seja, do Espírito de Deus em nós e em todas as coisas criadas".
Nelson Peixoto, Manaus, 16 de Maio de 2026.



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