OS CAMINHOS DA CRUZ NA VIDA DE IDOSOS E OS MIL JOVENS CIRENEUS
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Revisado. Nos tempos de leitura, muitos de nós gostamos de grifar ideias e frases que nos tocam, questionam e nos fazem pensar. Encontrei algumas delas que, além de iluminá-las em destaque amarelo, copiei-as com carinho para revê-las. Neste início da Semana Santa, reencontrei-as e apliquei, a partir do meu convívio com voluntários visitadores e mobilizadores que chamam atenção ao cuidadob de idosos residentes em Casas de Abrigos ou fora delas. Idosos e idosas que carregam os desafios da velhice e da gradual falência de suas forças devido às doenças, agravadas pelo abandono, descarte ou indiferença.

1. "SE REZAMOS MUITO, PRECISAMOS AMAR MAIS."
Conheço e participo de um grupo de voluntários que, assíduos em oração e visitação, sabem que o amor está acima das normas, da quietude demasiada na adoração, ao ponto de esquecer o convite de Jesus de ir com Ele e de segui-Lo na companhia calorosa e devota daqueles idosos, longe de suas famílias de origem.
Cada vez mais, o núcleo da fé da intimidade com o Senhor Jesus são as Bem-aventuranças como a nova lei e o segredo, já revelado para o Juízo final.
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"O que fizeres a um desses pequeninos é a mim que estás fazendo. (Mt, 25,40)
2. "AMA DE VERDADE QUEM REZA EM SEGREDO POR NÓS"
Pois que assim seja, pois degustar da intimidade amorosa de Jesus se completa quando rezamos, sem publicidade pelos idosos que carregam suas cruzes em forma de medo, abandono, doenças terminais ou esquecimento dos familiares. Há jovens "cireneus" que assim procedem, veladamente, em nome das famílias, porque se tornaram irmãos.
Rezando pelos idosos, tornamos seus suspiros em preces que adentram no Sagrado Coração de Jesus, sofrido e misericordioso, até para aqueles que esquecem os "lázaros" em suas portas e os colocaram para a rua. Importa para cada um dos voluntários, leigos cristãos, seja do grupo "Envelhecer", do Voluntariado da FAIC ou de outros, que organizados com intento missionário (cireneus), são com eles Comunidade-Igreja, sem precisar de muita hierarquia, como "poder sagrado" ou do clericalismo doentio de quem se vê acima dos demais serviços eclesiais.
O ministério e o mistério da dor e da fragilidade humana se juntam ao sofrimento de Cristo na Cruz, geradora de vida eterna. Uma oração que se faz muito mais de ações do que de palavras, com segundas intenções, centradas no aparecer e não no SER UM com os que padecem.

O sentir dos idosos sintoniza-se com o sentir de Jesus, que, apesar de penar com as dúvidas, não desesperam, mas pronunciam no segredo da solidão:
"Pai, em tuas mãos eu confio minha vida, por amor aos que me deste, e nenhum se perderá, apesar de não cumprir com a palavra proferida", tal como aconteceu com seus Apóstolos, com exceção das mulheres como Maria de Magdala e a Ima (mãe) de Jesus.
Simão Pedro, como nós, ainda respondeu com ímpeto que sempre o caracterizou: “Mestre, para quem iremos nós? Só o Senhor tem as palavras que dão a vida eterna, e nós cremos e sabemos que o Senhor é o Santo Filho de Deus": (Jo.6, 68-69).
3."AS MÃOS QUE REZAM SÃO AS MESMAS QUE AJUDAM".
Confirmam-se nesse enunciado a lógica e a prática do verdadeiro amor.
As mãos são como mães que acariciam com preces e com a pressa de reverter o abandono.
Mãos que seguram a cabeça de quem balança com alzheimer ou se debate no leito de dor.
Mãos direitas que esquecem o que as mãos esquerdas fizeram e declaram que se está apenas cumprindo a única divida que temos: O AMOR FRATERNO.

"Não fiquem devendo nada a ninguém. A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros. Quem ama os outros está obedecendo à lei." ( Rm. 13,8).
Nelson Peixoto, 28 de Março de 2026



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