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O VELHO CHAMADO DOR+VAL, UM VALENTE ESPORTISTA QUE TROUXE MINHA CURA EM TEMPO DE COPAS

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A santa e esportiva valentia não existia mais, dos velhos tempos de jogador volante no Antigo Vivaldão, hoje Arena da Amazônia. Encontrei-o bem humorado, mas na teimosa valentia de permanecer de pé, apesar da curvatura da coluna que dava a impressão de estar desmoronando para trás. Avistei-o, de longe, no fim da subida da ladeira, apressei os passos para socorrê-lo. Estava vestido com uma camiseta do Atlético Rio Negro Clube, e logo me vi conversando. Revelou-me, garbosamente, que fora um grande jogador, irmão de outros atletas mais famosos.


"Estou como os amortecedores defeituosos. Saí para comprar algumas coisas, mas tomei uma garrafa de caldo-de-cana. Estava bem, podendo andar, mas não obedeci à minha mulher que não quer que eu saia sozinho". Entravado ali, insistindo a caminhar, parecia que tinha engolido um cabo de vassoura, pois estava tombado para trás, com o corpo fora do prumo.


Caminhei com ele, precisando segurá-lo para não cair de costas. Ia apoiando-o, achando que eu tombaria junto com ele. Chegava ao meu limite, à frente da escola, mas fomos socorridos por professores que deram uma aula exemplar de amor e cuidado de idosos aos alunos.


Gesto que fará muita diferença para os estudantes entenderem como o mundo pode ser fraterno, certamente, muito mais do que a cultura inútil ou interesseira da escola tradicional, que serve para adestrar funcionarios para o mercado, ou quem sabe ser vencedor ou até virar vítima, porque lá na frente, desistiria de estudar por não ter aprendido a ler, entender e nem para escrever uma nova história .



Sentamos o Dor+Val no batente da escola, ele foi se ajeitando e destravando, lentamente, sua coluna. Minha pesquisa sobre coluna travada foi uma descoberta que preciso contar aqui. Então, coluna travada é uma condição que imobiliza o acometido para evitar maiores lesões. É uma dor aguda e intensa nas costas acompanhada de uma limitação de movimentos. Havia uma surpresa dupla na minha descoberta.


No dia seguinte, fui até a casa do "Dorisso ou Rival" e o encontrei sorrindo quando veio me encontrar à porta. Uma pena! Eu o tinha escalado para a equipe de dança do Michael Jackson, que faríamos no show de sensibilização do dia de Combate à Violência de Idosos, dia 15 de junho. A data, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006, busca chamar à atenção para um problema social crescente: os diversos tipos de violência que afetam os idosos, seja física, psicológica, emocional ou financeira.


O Dorval tinha se convertido Ri+Val, deixou de ser DOR+VAL. Na porta de sua casa, a conversa voltou aos belos tempos de jogador em vários times de Manaus. "Eu era a inteligência do time que jogava. No futebol, o volante é o jogador que atua no meio de campo, logo à frente da linha de defesa. Ele é o 'coração' do time, servindo como a ponte principal entre os zagueiros e os jogadores de ataque.".



Conversando, perguntei qual foi sua maior jogada na vida. Ficou pensando e disse-me que fora a amizade que construiu no campo e no espírito de equipe que desenvolveu. Nada de ser estrela solitária, nem herói que apaga a participação e o valor de toda a equipe, dentro e fora do campo.


Sobre a Copa do Mundo de 2026, não quis dar sua opinião acerca da convocação do Neymar, fato que intuí ser por não ter aprendido a jogar em parceria. Contei ao Dorval minha triste experiência do Brasil, tricampeão, no México, em 1970, quando nasceu minha indignação contra a política do tempo da Ditadura Civil-Militar de 1964 até 1985. "Mas por quê?" ele me perguntou.


Respondi com pesar: "foi naquele ano, vibrando pelo Brasil, que, quando comecei a estudar história, as escamas dos meus olhos de cidadão, ainda pouco crítico, meio de direita, caíram e tornei-me indignado por ter sido manipulado por aquele patriotismo que neguei depois de ser usado pela ditadura. Por este motivo passei a penalizar o Brasil, falsamente torcendo por ele, um tipo de vingança que só passou com o 7x1".


De 1970 em diante, optei em ser da esquerda política contra toda forma de fascismo e de apoio às políticas da elite empresarial ou dos bancos, hoje diria também das bets. "Ditadura nunca mais". E olhe bem, dizem algumas pessoas: "escapamos por um trisco nas últimas eleições presidenciais.".


Respondi para fechar a conversa que foi a vingança do 7x1, em 2014, que restabeleceu meu patriotismo brasileiro como cidadão construtor do Reino de Deus, expandiu meu amor pelo futebol e devolveu minha torcida sincera pelo time do Brasil nas copas, esperando que nunca mais tenha uma recaída.


"O AMOR VENCEU O ÓDIO"

"O CORAÇÃO VENCEU A CABEÇA"


Nelson Peixoto, Manaus, 13 de junho de 2026 - PRIMEIRO JOGO DO BRASIL NA COPA DE 2026.

 
 
 

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