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O IDOSO DAS ÁGUAS PISCOSAS QUE NÃO ERA DO CASTELO ESQUECIDO

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
@francysadaosj
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Comecei uma amizade com um recente residente de uma Casa Abrigo de Idosos. Ainda sem amizade com os companheiros, intuí, à distância, que precisava conhecê-lo, em uma das minhas visitas. Ao lado de sua cadeira de roda, estava um verdadeiro amigo de meia idade que pensei ser um filho. Mas não. Era um daqueles companheiros de vida que explica o mais profundo sentido de ser: "cum+panis". Isto é, com quem comeu o mesmo pão, lado a lado, durante muitos anos, mesmo sem ser parente.


Pela história de vida do Castrinho e do seu amigo Billie, melhor diria "cum+pisces", até porque eram tão amigos de pescaria e de muitas histórias. Dessa vez, não ouvi nenhuma "história de pescador", como contam por aí, os fantasiosos e impressionáveis homens dos rios.


O nome, Castrinho, transmite uma imagem de segurança e proteção espiritual. Derivado de "castelo" da Península Ibérica, que o tempo gastou e, abandonado, só serve para a imaginação dos turistas. Deus é quem não quer ninguém desprotegido na velhice, a morrer sem família e sem deixar saudades! Isso não vai acontecer com o Castrinho. Ele vai deixar muitas memórias. Seus instrumentos de pesca serão para os amigos que o visitam, que são a continuação estendida da vida alegre, jamais esquecida.



Castrinho andou por muitas estradas deste Brasil, conheceu lagos e rios com sua paixão por pescaria. Ele até me falou que devolveu muitos peixes para o rio, depois de distribuir para as famílias dos moradores da vila por onde passava. Navegou pelo Rio Negro, em sua fase de encanto pelos peixes ornamentais, pela cidade de Barcelos, Am, que é a capital da atividade dos piabeiros que capturam os peixinhos, quando os rios e igarapés estão na vazante.


Lembrei-me de um velho sonho que me vem, hoje, misturando tristeza e alegria, sentindo-me como um outro Castrinho que sou. A tristeza vem da minha juventude quando presenciei. certa vez, na minha frente, um aquário gigante, implodir-se levando os peixes para o chão. A alegria vem quando consegui reeditar, em miniatura, um aquário que, à minha frente. em hora de estresse, conseguia me refazer e sentir serenidade em oração.


@francysadaosj
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O Castrinho e eu, aprendemos com os peixes a ter paciência, sabendo esperar, além do limite das horas. Todos os dias, o Castrinho que conheci, parece esperar um dos velhos amigos de pescaria, chegando para alegrar e fazer as viagens por rios e lagos que não saem do pensamento.


Em um desses lagos, aprendeu a arte de fisgar amigos que nunca o abandonarão. Do Evangelho, lembrava a amizade de Jesus, sentindo-se incentivado a fazer novos amigos no Abrigo de Idosos, onde estes findarão seus dias, pensando nas pescas milagrosas de Jesus e da missão de ser também pescadores de homens para viver a amizade sem fim.


NelsonJosé de CASTRO Peixoto, Manaus, 20 de junho de 2026.

 
 
 

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