IDOSOS ARTISTAS E OS CRIMES DA DITADURA CHILENA NA MEMÓRIA.

Minhas informações acerca do deserto do Atacama, Chile, eram ingênuas, cheia de flores exóticas resistentes, frio noturno e tórrido calor diurno, com zero de umidade. Pois no desertão do Nordeste Brasleiro que é chamado de SERTÃO, foi quando me inteirei acerca das atrocidades, no Atacama, que se torrnou a sepultura dos perseguidos e mortos pelo regime politico do General Augusto Pinochet.
A vida era possível naquele ecossistema, tragicamente maravilhoso, de quase infinito desertão, onde foram enterradas, na areia, as vítimas da resistência à ditadura militar da era Pinochet (1973-1990). Até hoje, familiares indignados e saudosos procuram restos mortais dos torturados e desaparecidos do regime autoritário e criminoso, que quase, ao mesmo tempo, infestava outras nações sul-americanas que suspiravam por um socialismo alternativo, com democracia participativa contra a exploração capitalista, o escravagismo moderno e a concentração de terras e renda.
Naqueles anos de chumbo era forte a mobilização latino-americana para matar a sede da Justiça e sonhar com o retorno da liberdade e dos direitos civis,, mas eram sufocados, inclusive, com o apoio e a intervenção dos Estados Unidos da América, sobre o pretexto de combater o comunismo, matando a soberania dos países, cuja população queria construir uma alternativa ao capitalismo ou domesticá-lo.

Conforme informações históricas incontestáveis: "O regime foi marcado por forte repressão, com mais de 3.200 mortos e desaparecidos, além de mais de 38.000 pessoas presas e torturadas. Cerca de 200.000 chilenos foram forçados ao exílio".
Um amigo artista plástico chileno que conheci em uma viagem pelo Nordeste brasileiro, fez-me lembrar a crueldade do general Pinochet e seus asseclas ou seguidores. O chileno artista plástico saíra, ainda pequeno do seu país, crescera na Espanha e viera para o Brasil com seu pai buscar alternativas de vida.
Tornou-se proprietário de uma pousada, onde seu pai, também artista plástico e um esposa dançarina, edificou com criativadade e muita arte, inclusive com sucatas, os espaços internos e externos, sombreados com arbustos como numa pequena trilha que dá voltas ao redor de um pequeno lago artesanal.
Nesta ocasião, para recordação do deserto do Atacama, a ausência da água no laguinho sinalizava que a sede de Deus exige que nossas mãos de artesão cavem fundo na alma e se estendam para construir a fraternidade entre os povos e matar a sede de justiça.
Meu amigo chileno, encerrou sua fala comigo, contando a seguinte história.

"Eu estava em São Francisco, Califórnia, USA, e sabendo de um programa de música chilena, fui com meu pai assistir e retomar minha cultura nativa, sem imaginar a surpresa feliz que me aguardava para uma convulsionada emoção. Aconteceu que no intervalo do show, no balcão do café, gritos festivos ecoavam no ar entre abraços e lágrimas. - O que estaria acontecendo, perguntei." Ele continuou a me contar:
"Ora, alguns exilados do Chile de Pinochet, que fazia anos sem se verem e sem saber se ainda estavam vivos, encontraram-se, por acaso e confratenizaram surpresos e bendiziam a Deus pela vida que fora mais forte do que o passado opressor do regime totalitário da ditadura militar de meu país."

A partir daquele encontro dos perseguidos e exilados do Chile, ficou aliançado que aquele encontro musical seria uma maneira de conservar as raízes culturais do Chile, manter a esperança e de ter a liberdade de retornar ao seu país e reencontrar os sobreviventes que não conseguiram se exilar.
Aqui, concluo este texto, lembrando o Salmo 127 da Bíblia, mas numa versão contrária à dos babilônios desterrados:
“¹ Junto aos rios da Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião.
*² Nos salgueiros, que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.
Nelson Peixoto, Manaus, 6 de novembro de 2026.



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