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IDOSOS ARTISTAS  E OS CRIMES DA DITADURA CHILENA NA MEMÓRIA.

há 6 minutos
3 min de leitura
Flores que acobertaram os martirizados pelo regime
Flores que acobertaram os martirizados pelo regime

Minhas informações acerca do deserto do Atacama, Chile, eram ingênuas, cheia de flores exóticas resistentes, frio noturno e tórrido calor diurno, com zero de umidade. Pois no desertão do Nordeste Brasleiro que é chamado de SERTÃO, foi quando me inteirei acerca das atrocidades, no Atacama, que se torrnou a sepultura dos perseguidos e mortos pelo regime politico do General Augusto Pinochet.


A vida era possível naquele ecossistema, tragicamente maravilhoso, de quase infinito desertão, onde foram enterradas, na areia, as vítimas da resistência à ditadura militar da era Pinochet (1973-1990). Até hoje, familiares indignados e saudosos procuram restos mortais dos torturados e desaparecidos do regime autoritário e criminoso, que quase, ao mesmo tempo, infestava outras nações sul-americanas que suspiravam por um socialismo alternativo, com democracia participativa contra a exploração capitalista, o escravagismo moderno  e a concentração de terras e renda.


Naqueles anos de chumbo era forte a mobilização latino-americana para matar a sede da Justiça e sonhar com o retorno da liberdade e dos direitos civis,, mas eram sufocados, inclusive, com o apoio e a intervenção dos Estados Unidos da América, sobre o pretexto de combater o comunismo, matando a soberania dos países, cuja população queria construir uma alternativa ao capitalismo ou domesticá-lo.

Quadro do chileno Julio Spinosa
Quadro do chileno Julio Spinosa

Conforme informações históricas incontestáveis: "O regime foi marcado por forte repressão, com mais de 3.200 mortos e desaparecidos, além de mais de 38.000 pessoas presas e torturadas. Cerca de 200.000 chilenos foram forçados ao exílio".


Um amigo artista plástico chileno que conheci em uma viagem pelo Nordeste brasileiro, fez-me lembrar a crueldade do general Pinochet e seus asseclas ou seguidores. O chileno artista plástico saíra, ainda pequeno do seu país, crescera na Espanha e viera para o Brasil com seu pai buscar alternativas de vida.


Tornou-se  proprietário de uma pousada, onde seu pai, também artista plástico e um esposa dançarina, edificou com criativadade e muita arte, inclusive com sucatas, os espaços internos e externos, sombreados com arbustos como numa pequena trilha que dá voltas ao redor de um pequeno lago artesanal.


Nesta ocasião, para recordação do deserto do Atacama, a ausência da água no laguinho sinalizava que a sede de Deus exige que nossas mãos de artesão cavem fundo na alma e se estendam para construir a fraternidade entre os povos e matar a sede de justiça.


Meu amigo chileno, encerrou sua fala comigo, contando a seguinte história. 


Reencontro dos torturados e exilados - Pintura de Júlio Spinosa
Reencontro dos torturados e exilados - Pintura de Júlio Spinosa

"Eu estava em São Francisco, Califórnia, USA, e sabendo de um programa de música chilena, fui com meu pai assistir e retomar minha cultura nativa, sem imaginar a surpresa feliz que me aguardava para uma convulsionada emoção. Aconteceu que no intervalo do show, no balcão do café, gritos festivos ecoavam no ar entre abraços e lágrimas. - O que estaria acontecendo, perguntei." Ele continuou a me contar:


"Ora, alguns exilados do Chile de Pinochet, que fazia anos sem se verem e sem saber se ainda estavam vivos, encontraram-se, por acaso e confratenizaram surpresos e bendiziam a Deus pela vida que fora mais forte do que o passado opressor do regime totalitário da ditadura militar de meu país."


A partir daquele encontro dos perseguidos e exilados do Chile, ficou aliançado que aquele encontro musical seria uma maneira de conservar as raízes culturais do Chile, manter a esperança e de ter a liberdade de retornar ao seu país e reencontrar os sobreviventes que não conseguiram se exilar.


Aqui, concluo este texto, lembrando o Salmo 127 da Bíblia, mas numa versão contrária à dos babilônios desterrados:


“¹ Junto aos rios da Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião.


*² Nos salgueiros, que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.


Nelson Peixoto, Manaus, 6 de novembro de 2026.

 
 
 

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