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FONTE BOA-AM E GUADALUPE DO MÉXICO (1) SÃO UNIDAS NO AMOR

  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

Um município do Amazonas que parece ser a nascente promissora de lindas histórias de amor, solidariedade e reserva infindável de pessoas felizes, como a minha sogra Maria José. As possibilidades que as distâncias do tempo e das idades permitem nos fazem considerar Fonte Boa-AM, preconceituosamente, sem muita importância.


Através do olhar de quem viveu por lá, trabalhou, criou os filhos e hoje se encontra num Lar de Idosos, podemos sentir que daquela "fonte" minou a esperança de dias sempre melhores, apesar do otimismo que o nome traz. Fonte Boa, nascente e poente de vidas valorosas que se reencontraram na velhice e, provavelmente, estão a sintonizar os corações, mesmo na idade avançada.



Confesso que assim vi dois pombinhos, lado a lado, parecendo fazer a eternidade parar, naquele momento, para dar um passo de amor verdadeiro na velhice. Vou contar um pouco o que estes dois idosos sentem de sua cidade. Parecem esquecer as dores, as remadas para a pescaria, o suor da caminhada para o roçado e as doenças que já superaram.


A conversa entre nós três avançava. Por que se chamou de Fonte Boa? Você sabia que foi batizado com esse nome, no século XVIII, por causa das nascentes de águas límpidas e cristalinas encontradas pelos primeiros colonizadores portugueses na região? A história registra uns contratempos entre portugueses e espanhóis, assim como entre jesuítas e carmelitas. O Google traz referência às águas puras e à abundância de igarapés que lembravam algumas localidades de Portugal (como Fonte Boa dos Nabos). Isso aconteceu lá  pelo ano de 1759.


Para o casal de amigos, com idades entre 75 e 85 anos, a memória do passado não era tão distante assim, cujo nome do local herdado dos portugueses marcou o povo com a transparência de sentimentos e de amizade social que irmanaram as gerações passadas e as futuras, apesar de épocas e personagens diferentes.


Do primeiro aldeamento da etnia omágua, apoiado pelo jesuíta Samuel Fritz, que trouxe a devoção de Nossa Senhora de Guadalupe, do México espanhol, podemos intuir pelo comportamento do nosso casal protagonista, semelhanças com a aparição e a história de Nossa Senhora de Guadalupe, segundo a devoção do indígena Juan Diego.


Samuel Fritz viu flores silvestres pousando seus galhos nos igarapés, como braços d'água que escorriam como de um templo que ele considerava ser a floresta, margeando a aldeia.


Posso imaginar que os fonte-boenses, até hoje, miram as águas do Solimões, olham para o céu límpido ou com poucas ou muitas nuvens de chuva, sendo capazes de ver o véus esvoaçantes de Nossa Senhora de Guadalupe, de acordo com a imaginação do Frei Samuel e do relato da aparição da Mãe de Jesus ao indígena Juan Diego, irmão da nação Jurimágua, que significa "habitantes das águas".


No monte Tepeyak, México, como nas folhagens amazônicas, tal como o cobertor do Juan Diego, ficou estampada, milagrosamente, a imagem da Senhora, que recebe o nome de Guadalupe, nome "espanholado" que, na língua  do Juan, significava "aquela que pisa na cabeça da cobra".


Com a possibilidade da tradução da palavra guadalupe, meu casal de amigos foram lembrando o mito das cobras (boiunas), que estão adormecidas debaixo das igrejas do Amazonas, sendo a mais famosa a cobra grande debaixo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Itacoatiara.


Conta-se que a Mãe de Jesus intercede ao Filho para que a serpente não se movimente, senão as rachaduras das igrejas mais antigas apareceriam e Deus Pai não quer que a cidade acabe sob o domínio do mal.


As lendas amazônicas indicam que a fé do povo dos rios está visceralmente protegida pela Virgem Maria. Por mais que o casal fonte-boense seja evangélico, soube compreender a linguagem de Deus, que a natureza fala e o coracão aceita.


A cabeça pode até pensar nos perigos de destruição da nossa floresta, mas não será porque a cobra se mexeu, mas sim porque a vontade de poder e de acumular riquezas tornam-se a causa do fim das fontes boas e das árvores frutíferas, dos lagos e dos rios, sobretudo em tempos de seca amargurante para todos da cidade e do interior.


Disse-me a doce idosa, segurando no braço do seu bem amado: Meu Credo é no Amor que salva e não na religião que pode aprisionar. Eu completei: Sim, minha senhora e meu senhor das fontes boas, crer, vem do latim (credare) = "Dar o coração e fazer sempre o bem".


(1) Uma homenagem à seleção do Mexico, que esta invicta e vai as oitavas de final


Nelson Peixoto, Manaus, 04 de Julho de 2026

 
 
 

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