A FLORISTA NÃO ENFRENTA MAIS SUA VELHICE SOZINHA. POR QUÊ?

Era o Dia dos Pais, quando eu vi uma "maternidade paterna" atuando em forma de fraternidade. Juntei-me às duas irmãs que foram visitar ex-florista Neide, em uma casa de Idosos. Duas irmãs, dedicadas a entender e praticar a vida, como ocupação aos necessitados.
Em anos passados, encontraram a Neidinha em uma situação deploravel, abandonada numa choupana, que ainda era enfeitada com plantas e flores perenes, no quintal. Foram cultivadas, em outros tempos e resistiram ao calor e, sem o olhar sereno daquela idosa deserdada de cuidados, que jazia, ainda viva, clamando por compaixão.
Para aquelas duas Irmãs do Povo, pertencentes a uma Congregação feminina, as lições da meritocracia não ditavam suas praticas de cuidado e de zelo. Elas viviam da generosidade e da gratuidade do amor sem esperar nada em troca. Podemos dizer que, em na sua dor, a ex-florista transformou-se em um cacto espinhoso que, em um belo dia, ia florescer, quando uma chuva de carinho perseverante abrisse as portas de seu ferido coração.

A historia da nossa florista começa entre os prédios de classe media, nas praças dos enamorados e nos bares, onde a alegria, aumentada com cerveja e romances, os apaixonados sabiam o valor de uma rosa para significar um "eu te amo e vou cuidar de ti".
Antes, porém, desse tempo de florista, ela era uma mansa senhora, dona de casa, bem dotada e amada em sua família abastada, mas cuja história de vida, e felicidade e direitos se perderam. Não era capaz mais de que acontecera para que não sofresse, ainda que habitada de ressentimentos, não sabendo mais, e nem ser capaz de tratar os outros que se aproximavam dela. .
Não sabemos como chegara em Manaus, onde tentou vender flores na Ponta Negra, e reeditar sua vida de florista solitaria. Mas suas dividas chegaram a tal ponto que foi tentada a vender droga, mas não cedeu, mesmo no seu desespero e na sua penuria. Resolveu morar num barraco sozinha, enquando podia fazer uns doces e vender na esquina da rua. Sabia que se vendesse onde morava ninguem teria coragem de comprar.
O tempo passou. Suas pernas e mãos feneceram, como plantas secas sem vida ou como flores desidratadas que aprendera a fazer para arrranjos das arvores de Natal e canteiros de sepultura em tempos dos finados.
Aconteceu que a dupla de irmãs, vivendo como "Igreja em Saida do Templo" para encontrar Jesus no meio dos pobres e abandonados, a descobriram, não tão longe, a Dona Neidynha, que passou a ser pessoa de estimação da vizinhança que trazia sempre uma comidinha e um remedio caseiro para ela. A vizinhança passou a adotar a proteção da idosa que começou a amansar o coração e florir de novo.

O limite do cuidado, das Irmãs e da vizinhança começou a pesar tanto, com o agravamento das doenças da Neidinha, que uma peregrinação tornou-se urgente, em busca de uma vaga em Casa de Idosos. Com muito custo e longa espera, e a intervenção do Ministério Público, a Neidynha conseguiu-se uma vaga, sendo visitada pelas irmãs e por aqueles que cultivaram dentro de si uma espiritualidade cristã de amor gratuito e generoso aos idosos.
Para as Irmãs, levando a pratica do fundador, elas vivem seu carisma, não deixando ninguem viver sem familia. A Neide e uma irmã querida, sempre visitada, até quando fica internada nos hospitais.
Obs. Irmãs da Sagrada Família de Spoleto.
Fundadas em 13 de maio de 1888 pelo Beato Pedro Bonilli, numa pequena cidade da Itália, chamada de Cannaiola.
Nelson Peixoto, Manaus, 26 de setembro de 2026



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